| Clipping diário 6 a 8/02/10 |
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| Escrito por Adriana Duarte |
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Estado de Minas / Gerais – 08/02/10
RUMO 2014 PM monta seleção para a Copa'2014 Corporação ganha reforço de mais de 5 mil policiais até o fim de 2011 para o Mundial, que terá BH como uma das cidades sedes. Tropa cresce 11% e treinamento já começou Flávia Ayer O efetivo da Polícia Militar vai crescer 11% até o fim do ano que vem, com a seleção de 5,2 mil policiais. Atualmente com 46,4 mil militares, a corporação vai passar a ter um efetivo de 51,6 mil. O reforço do time da PM tem como principal motivo a Copa do Mundo de 2014, que terá Belo Horizonte como uma das 12 cidades sedes. A preparação para o maior evento do futebol mundial vai além de contratações. No mês que vem, a corporação apresenta o planejamento de ações durante a Copa. Será mais uma etapa de uma preparação que no mês passado teve o curso de policiamento turístico. Por ele, a tropa será capacitada para orientar turistas em visita a Minas. Em quatro anos, cerca de 10 mil homens e mulheres terão passado pelo treinamento. De acordo com o assessor de comunicação da PM, tenente-coronel Ricardo Calixto, a entrada de policiais na corporação foi possível com a publicação de lei estadual autorizando o concurso, ano passado. Os novos agentes serão distribuídos, principalmente, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e nas cidades turísticas do estado. “Esse efetivo vai reforçar o policiamento voltado para as atividades relacionadas à Copa e aos pontos turísticos. Já estamos fazendo várias seleções”, ressalta. Também está em curso a elaboração do planejamento da PM para o campeonato mundial. À frente do trabalho estão três comissões, atentas a questões como logística, tecnologia, inteligência e comunicação. O cronograma de ações ficará pronto em março, mas já no primeiro mês do ano a Copa’2014 já começou a fazer parte do dia a dia dos militares. Segundo Calixto, seis turmas, num total de 150 policiais, passaram pelo curso de policiamento turístico. Com a previsão de formar 10 mil agentes na Grande BH este ano, as aulas são uma parceria entre a PM e a Secretaria de Estado de Cultura. “O turista, principalmente aquele que vem de outro país, não vai ficar preso apenas a BH: vai querer visitar os principais polos turísticos do estado. Nossa ideia é usar principalmente militares que têm facilidade com outras línguas”, afirma. BOLSA-COPA Candidatos para completar o quadro não devem faltar, depois da assinatura, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de decreto que cria a Bolsa-Copa, aumentando gradualmente o salário de profissionais de segurança pública de alguma forma envolvidos no maior evento do futebol. O incentivo mensal subirá de R$ 550 este ano para R$ 1 mil durante os jogos. Um acréscimo considerável, se considerado o salário inicial dos militares, em torno de R$ 1,4 mil. O governo de Minas ainda não definiu se vai aderir ao projeto. Se participar, terá que incorporar o benefício ao salário dos policiais e bombeiros depois do Mundial. Em nota, a Secretaria de Defesa Social de Minas Gerais (Seds) informa que ainda está avaliando “possíveis impactos econômicos, políticos e institucionais de uma eventual adesão ao projeto.” O órgão estadual pondera que a oferta de cursos preparatórios e benefícios do Bolsa-Copa não se estendem a todos os policiais e bombeiros do estado, ponto que deve ser melhor estudado. Segundo a Seds, somente depois do estudo sobre o programa o Sistema de Defesa Social de Minas Gerais poderá avaliar a utilidade e eventuais impactos gerados pela medida. GRUPO AÉREO O Corpo de Bombeiros também faz preparação especial para estrear em mundiais. Dez alunos do curso de Comandante de Operações Aéreas já participam de aulas práticas de pilotagem em helicóptero e devem se formar às vésperas dos jogos. Na Copa, esses pilotos poderão agir na prevenção e socorro a vítimas. A corporação anuncia também a compra de pelo menos dois helicópteros, dobrando a frota, com investimento de R$ 30 milhões ainda em negociação com o governo federal. A parte teórica do curso ocorreu entre agosto e novembro e, além de navegação aérea, incluiu tópicos como atendimento pré-hospitalar, meteorologia e salvamento aquático em altura. Estado de Minas / Gerais – 08/02/10 DE VOLTA À SOCIEDADE Prisão sem grades Fechada apenas por uma cerca, Fazenda de Ressocialização de Presos Reviver fica aos pés da Serra da Piedade, a 1.100 metros de altitude, em área de preservação ambiental Daniel Antunes É possível imaginar um centro de ressocialização de presos que cometeram crimes que vão de homicídios a estupros, passando por assalto à mão armada, que não seja cercado por muros, grades, seguranças, alarmes ou agentes fortemente armados? Pois esse lugar que desafia a imaginação existe há pouco mais de um ano na zona rural de Caeté, a 50 quilômetros de Belo Horizonte, na região metropolitana. O projeto, inédito, é fruto de uma parceria entre a Vara de Execução Penal do município e o governo do estado, que deu origem à Fazenda de Ressocialização de Presos Reviver. O centro funciona numa área de preservação ambiental, a 1.100 metros de altitude, aos pés da Serra da Piedade, um lugar de beleza ímpar, e tem capacidade para acolher 35 detentos que cumprem pena nos regimes semiaberto ou aberto. A área de 40 alqueires é fechada apenas por uma cerca, que divide o local de outras propriedades rurais. A segurança é feita por dois vigilantes, que não usam qualquer tipo de arma. A ideia do Projeto Curar, da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), surgiu em 2008, quando a cadeia de Caeté sofria com problemas de superlotação e praticamente não havia um trabalho adequado de ressocialização de detentos em regime semiaberto. Abandonada e servindo de esconderijo a animais e marginais, a estrutura erguida há mais de 20 anos para abrigar uma escola agrícola, que nunca chegou a funcionar, foi doada pela prefeitura para receber o projeto. Em quatro meses de trabalho voluntário de membros do Conselho Comunitário de Caeté, entidade ligada ao fórum da cidade, o local foi recuperado. Ganhou nova rede elétrica, piso, portas e janelas e, no fim de 2008, começou a receber os primeiros presos. "Começamos com a criação de uma horta, onde os detentos plantam de tudo, desde feijão até pimenta e cana geneticamente modificada”, diz o aposentado Francisco Mallio Brandão, de 71 anos, que foi contratado para administrar o espaço, onde passa o dia sem portar nenhum tipo de arma. "Nunca tive medo de andar aqui. Eles (os detentos) estão aprendendo a cada dia sobre respeito e disciplina", comenta. A dedicação ao projeto é tanta que assim que a fazenda começou a funcionar Francisco se mudou, do Centro de Caeté, com a mulher e um filho, para uma casa no distrito da Penha, ao lado da antiga escola agrícola. "Isso aqui agora é a minha vida. Sei que estou ajudando a recuperar pessoas para a sociedade", diz. Aproveitando a estrutura da escola, foram montados dormitórios, lavanderia, salas para palestras e cozinha. Além da horta, os presos passam o dia trabalhando num galpão construído dentro da unidade pela empresa Pentec, siderúrgica que fornece material para o setor de mineração. O trabalho, que consiste no acabamento de peças produzidas pela indústria, é remunerado (dois terços do salário mínimo) e o dinheiro é dividido entre o detento e a família. "Com esse dinheiro, muitos estão reformando suas casas, comprando eletrodomésticos e dando um conforto melhor para os filhos”, conta a juíza da Vara de Execução Penal de Caeté, Cláudia Regina Macegosso. Em pouco mais de um ano de funcionamento, a magistrada considera os resultados animadores. Presos que conseguiram a liberdade já estão integrados à sociedade. Alguns, inclusive, empregados em grandes empresas da região. "São ideias simples que vão dando resultado. Apostamos numa dinâmica em que o preso se sente mais valorizado pela família e pelo trabalho que exerce dentro do projeto”, acrescenta a juíza. Se durante a semana o dia é dedicado ao trabalho, o domingo é reservado à família, que tem autorização para entrar na fazenda. "Fora isso, cada um tem direito a sete saídas durante sete dias do ano para ir em casa”, comenta Cláudia Regina. Até o fim do primeiro semestre, o objetivo é investir em atividades como avicultura, com criatório de frangos de corte; piscicultura, com o uso de um represa criada para esse fim; e plantio de café. O projeto mantém parcerias com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas (Emater), o Instituto Estadual de Florestas (IEF) e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Semad), que doaram serviços de máquina para a preparação de solo, sementes, adubo, além de orientações sobre como preservar o meio ambiente. Modelo para a liberdade Nas penitenciárias convencionais, o estado gasta por mês R$ 1,7 mil por detento, enquanto no Projeto Curar são investidos R$ 400, e os índices de reincidência no crime são baixíssimos Daniel Antunes "Papai, vou sentir saudade". Depois de um longo silêncio e com os olhos em lágrimas, Geraldo Martins dos Santos, de 53 anos, que cumpre pena por homicídio, respondeu à filha Jéssica Yasmim, de apenas 4 anos. "Daqui a pouco estou de volta". Fazia dois meses que ele não visitava a família, que vive num barracão de seis cômodos, construído graças ao dinheiro que recebe trabalhando no centro de ressocialização de presos de Caeté. Geraldo conseguiu autorização para ir em casa e se encontrou com a esposa e as seis filhas, a mais nova delas de apenas cinco meses. Ele foi levar uma caixa com couve, milho, inhame e cebola colhidos na horta que também ajuda a cuidar. Antes de ser incluído no projeto, Geraldo cumpria pena na penitenciária de Caeté, onde chegou a dividir a cela com outros nove presos. "Não tinha espaço nem privacidade. Passei quase três anos naquele lugar e não desejo isso para ninguém", relembra. Em dezembro de 2008, foi incluído na inédita lista dos presos que seriam enviados do presídio de Caeté para a fazenda de ressocialização. Os conhecimentos que tinha em plantações de hortaliças ajudaram a ganhar o respeito do administrador Francisco Mallio. "Ele é uma das pessoas que mais tem nos ajudado desde o início. Com certeza vamos sentir falta dele quando ganhar a liberdade", afirma Francisco. Geraldo cumpre pena de 24 anos por um homicídio ocorrido na década de 1980, crime do qual não gosta de falar. Há um ano, adotou a Bíblia como amiga fiel. "Aprendi nas aulas de evangelização aqui na fazenda a importância da religião na vida das pessoas. Hoje quero provar para todos que sou uma pessoa melhor. A gente quer mostrar para a sociedade que não somos as pessoas más que pensam." Empolgado com o novo estilo de vida, ele acredita que deve conseguir a liberdade em agosto. A pena, inicialmente estabelecida em 24 anos, foi reduzida pelo bom comportamento. Além disso, a cada três dias de trabalho na cadeia é descontado um na pena. Ao deixar o centro de ressocialização, pensa em trabalhar em alguma fazenda da região. "É o que sei fazer. Além do mais, estou velho para as empresas", diz. Presos têm dinheiro roubado Daniel Antunes O aparente clima de tranquilidade e paz na fazenda de ressocialização foi quebrado em 14 de janeiro, quando dois assaltantes roubaram um malote com cerca de R$ 4,5 mil que a secretária do Conselho Municipal, Lucimara Resende, levava para fazer o pagamento dos presos. O veículo em que ela estava foi interceptado numa estrada vicinal, que dá acesso à fazenda, por duas pessoas em uma moto. Com uma arma apontada para a cabeça, Lucimara foi obrigada a entregar o dinheiro. "A Pentec faz o pagamento dos presos na Vara de Execução Penal. A gente pega o dinheiro e leva para os detentos, que decidem se vão mandar para os familiares fora da prisão ou para alguma outra pessoa", diz Lucimara, que, depois do assalto, pediu para sair do Conselho. "Fiquei traumatizada e pedi para não fazer mais os pagamentos." Hoje, ela trabalha no fórum de Caeté. A notícia foi recebida com tristeza no centro de ressocialização. O pagamento é, para a maioria dos detentos, a única fonte de renda. Esse é o caso do artesão Celso José Ferreira, de 34 anos, que cumpre pena por assalto à mão armada a uma loja de aparelhos de celular, em outubro de 2007. Parte dos R$ 380 que ganha mensalmente trabalhando para a Pentec seria usada para quitar o lote onde construiu um barracão para a mulher e os três filhos morarem. Sem o pagamento, ele aposta nas peças de artesanato que produz com palitos de picolé para conseguir algum dinheiro. "Não estava preparado para ficar sem receber este mês. Sei que até a conta de luz está atrasada e podem cortar a energia a qualquer momento", lamenta. A polícia do município investiga a autoria do assalto. Depois do crime, a direção do programa estuda novas formas para fazer o pagamento dos presos. A direção da Pentec, parceira do projeto de ressocialização, prometeu ressarcir os presos com metade do valor que foi roubado. Carta de alforria aos 60 anos Daniel Antunes No caderno, com folhas amassadas e a caligrafia trêmula, Luis Cláudio Santos vai aos poucos realizando um sonho que demorou mais de 60 anos para se concretizar. Aprender a escrever o próprio nome e não ter que assinar documentos tendo que mergulhar as digitais num pote de tinta. Orgulhoso, conta que, além do nome, já sabe fazer contas de adição e subtração. "Quero agora conseguir escrever uma carta para as minhas irmãs que moram em Barão de Cocais e contar que tenho uma nova vida. Nunca é tarde para recomeçar", diz, sorrindo. Serrador desde a adolescência, Luis Claúdio percorreu o Brasil inteiro trabalhando com uma motosserra. A profissão ensinada pelo pai foi interrompida com uma acusação de estupro e logo em seguida com a condenação. Para ele e a família a vida estava acabada. Preso numa cela com outros detentos, disse que não imaginava ganhar uma nova chance. "Vivia preso num quartinho e não tinha nada a fazer a não ser lamentar os erros. Agora na fazenda parece que estou livre, consigo ouvir os pássaros e sei que daqui a uns dias estarei em liberdade novamente.” As aulas são ministradas pelos funcionários da fazenda. Português e matemática são ensinados sempre no fim de semana, antes do horário de visita das famílias. A sala também é usada para palestras com psicólogos e cursos de primeiras noções sobre construção civil. "A gente tenta passar a eles (presos) o máximo de coisas que aprendemos durante a vida. São opções que estamos dando a eles para saírem daqui com uma profissão, ou mais capacitados para o mercado de trabalho", diz o administrador da fazenda Francisco Mallio. Caeté foi a terceira cidade no estado a receber o Projeto Curar, que promove a reinserção social de sentenciados que cumprem pena em regime aberto e semiaberto em Formiga, Contagem, Ouro Preto, São João del-Rei, e São João Nepomuceno. Ao todo são 250 vagas, e desdas, 211 estão ocupadas. O programa abrange dois tipos de estabelecimentos prisionais: casas de albergados e as fazendas de reintegração social. O modelo estabelece que as unidades devem ser de pequeno porte, com média de 60 detentos, chegando à capacidade máxima de 140 presos. Na prática, o programa busca parceiros entre instituições públicas, privadas e organizações da sociedade civil para a reforma de espaços, articulação de trabalho para o recuperando, acompanhamento psicológico e religioso, além de ajuda com gastos de alimentação e folha de pagamento dos funcionários. "No modelo convencional de recuperação de detentos, o estado gasta R$ 1,7 mil por pessoa, enquanto no Projeto Curar são investidos R$ 400 e o preso está próximo da família. Além disso, nesse projeto os índices de reincidência no crime são baixíssimos", comenta o subsecretário de estado de Administração Prisional, Genilson Ribeiro Zeferino. O Tempo / Cidades – 08/02/10 Máfia da CNH. Comissão de Segurança Pública convoca audiência pública para analisar denúncias Assembleia quer explicações Reunião marcada para depois do Carnaval vai convocar delegados Cristiano Martins A Assembleia Legislativa de Minas Gerais irá se envolver nas investigações que apuram o esquema de venda de carteiras de habilitação em diversas cidades do Estado. O deputado João Leite (PSDB) revelou que a Comissão de Segurança Pública, da qual é presidente, decidiu se reunir nas próximas semanas para analisar as denúncias e "começar a tomar providências". Serão convocados para uma audiência pública, a ser realizada na semana após o Carnaval, a cúpula da Polícia Civil e do Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran), além dos responsáveis por clínicas médicas suspeitas de irregularidades - elas estariam em nome de laranjas de políticos e servidores públicos, o que contraria a legislação. O deputado afirmou que a série de reportagens produzidas pelo jornal O TEMPO será utilizada como base para o início dos trabalhos. Na primeira denúncia, publicada no dia 24 de janeiro, foi revelado um esquema de comercialização de carteiras por examinadores do Detran, por intermédio de instrutores e donos de autoescolas de Betim, na Grande BH. A partir de então, dezenas de outras denúncias apontaram que o esquema funciona também em várias outras cidades do Estado. "Vamos nos debruçar sobre esse material, analisar, buscar apurar as denúncias levantadas e, então, convidar os envolvidos para prestar esclarecimentos. Essa situação tem que ser bem explicada para a população", afirmou João Leite. Segundo o deputado Ruy Muniz (DEM), autor do requerimento da audiência pública, "as denúncias são graves e devem ser investigadas com rigor". No pedido, apresentado na última quarta-feira, o deputado havia solicitado que fossem convocados para dar explicações o procurador-geral de Justiça, Alceu José Torres Marques, o delegado chefe do Detran-MG, Oliveira Santiago Maciel, e o presidente do Sindicato das Autoescolas, Doraci de Avelar. A deputada Maria Tereza Lara (PT), vice-presidente da Comissão de Segurança Pública, destacou a importância do envolvimento do Legislativo. "Pessoas que dirigem sem estar devidamente habilitadas podem causar acidentes e mortes, e isso é gravíssimo", ressaltou. Em relação aos desdobramentos do envolvimento do Legislativo no caso, João Leite se mostrou cauteloso. O deputado, que em 1999 presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Carteira de Habilitação, disse que a atuação da Assembleia vai depender das informações colhidas nas audiências. "É importante que tenhamos uma apuração detalhada. A partir daí, podemos discutir quais os elementos que teremos para agir", explicou o deputado, sem, no entanto, comentar a hipótese de ser instaurada uma nova CPI. Promotor comemora reforço parlamentar A Assembleia Legislativa de Minas Gerais terá um importante papel na apuração das denúncias contra a máfia das CNHs, segundo avalia o promotor Leonardo Barbabela, responsável pelas investigações. “A participação do Legislativo só vem a somar e a ajudar, principalmente na fiscalização. A Assembleia é um órgão importantíssimo, pois representa o cidadão. Todos os casos vão ser rigorosamente investigados, sobretudo porque envolvem o dinheiro público”, destaca Barbabela. De acordo com o promotor, o Ministério Público e a Polícia Civil estão trabalhando na apuração das denúncias. “A solução está bem encaminhada”, completou. (CM) Paraguai Suspeito. O Detran mineiro é investigado pelo MP por validar carteiras retiradas no Paraguai, mas o órgão de trânsito mineiro disse que a prática já foi suspensa. Análise Situação é pior do que a apurada em CPI em 1999 A série de denúncias desencadeadas nas últimas semanas após as reportagens do jornal O TEMPO aponta para uma situação ainda mais grave do que a constatada em 1999 pela CPI da Carteira de Habilitação. É o que afirma o deputado João Leite, que presidiu a comissão concluída há uma década. “Nós tínhamos naquela época uma denúncia muito focada nas autoescolas. Agora, nós temos uma situação mais ampla, relacionada às clínicas, à validação das carteiras do Paraguai, ou seja, alguns elementos que não existiam naquele tempo e algumas denúncias a mais”, avalia o deputado. Com as novas denúncias, João Leite disse temer pela reputação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) concedida em Minas Gerais, que, segundo ele, sempre foi respeitada por sua procedência. “Espero que essa série de escândalos não manche a imagem da CNH do nosso Estado. Queremos ouvir os responsáveis para cobrar e saber deles se houve apuração, punições e afastamentos”, declarou o parlamentar. (CM) Número R$ 1.000 é o valor cobrado hoje por uma CNH “quente” em Betim. O Tempo / Cidades – 07/02/10 Resposta. Após 12 dias de silêncio, o chefe do órgão, Oliveira Santiago, responde às denúncias de O TEMPO "Infelizmente, o Detran não está imune a irregularidades" Máfia da venda de carteiras é apurada pela corporação, com auxílio do MP Ezequiel Fagundes Doze dias depois de absoluto silêncio, o chefe do Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG), Oliveira Santiago Maciel, reagiu à série de reportagens de O TEMPO, que completa hoje duas semanas de publicações ininterruptas. Delegado com 30 anos de experiência, Oliveira Santiago usou da retórica para justificar as denúncias de irregularidades durante processo de habilitação de motoristas em Minas. "Infelizmente, o Detran não está imune a irregularidades, mas estamos investigando tudo", garantiu, sem apresentar um resultado prático ou qualquer número. Sobre as denúncias da existência de uma farra na abertura de clínicas médicas credenciadas pelo órgão, ele diz que a maioria das delas parte dos antigos donos das concessões - em 2008, o processo licitatório foi extinto via decreto estadual e substituído pelo credenciamento. Santiago exalta o decreto, que transferiu para o Detran-MG a responsabilidade exclusiva de conceder a esses estabelecimentos o poder de realizar exames médicos e psicológicos exigidos nos processos de retirada e renovação da carteira de habilitação. Em sua avaliação, o significativo aumento de clínicas médicas, que pulou de 96 para cerca de 480 unidades em todo Estado, gerou "comodidade, conforto, respeito e transparência". Apesar dos inúmeros casos denunciados, ele nega que policiais civis e servidores do Detran viraram proprietários de clínicas e autoescolas, o que é proibido por lei. Acompanhado de dois delegados, Santiago conversou com a reportagem de O TEMPO, na última sexta-feira, durante 30 minutos. Minientrevista Oliveira Santiago Chefe do Detran-MG Em relação às denúncias de irregularidades no processo de habilitação de motoristas relatadas na série de reportagens de O TEMPO, qual a providência efetiva tomada pelo Detran-MG? As irregularidades que realmente foram detectadas estão sendo apuradas. Mas os fatos tais como vocês colocam, que tem prefeito e vereador dono de clínica, isso não tem nenhuma proibição legal. Se você ler o decreto estadual (que pôs fim à licitação e permitiu o credenciamento), isso não existe. Vereador e prefeito não são considerados servidores públicos. Se a minha mãe e meu pai fossem médicos ou psicólogos, e quisessem credenciar uma clínica, não existiria nenhum impedimento de ordem legal. Poderia existir, da minha parte, um constrangimento ético, somente. Mas o Supremo Tribunal Federal considera que todo cidadão que tem contracheque do erário é servidor público. Seguindo esse raciocínio, políticos não poderiam credenciar clínicas. O que o senhor tem a dizer sobre isso? Quem tem cargo público concursado não pode ter clínica. Prefeito, vereador, secretário e deputado podem credenciar. Em Minas, eu faço esse desafio, talvez aqui tenha os requisitos mais rígidos para um credenciamento de clínica. E sobre o caso de policiais, ex-policiais e servidores do Detran que seriam donos de clínicas? Até agora nós não achamos nenhum policial ou servidor do Detran que seja dono de clínica. E as pessoas que estão usando testas de ferro para ocultar a sociedade? Isso pode vir a acontecer. Inclusive temos algumas sindicâncias abertas para apurar isso. Se detectar, serão descredenciadas. Vocês precisam entender que, antes, havia poucos clínicas em Minas para uma demanda assustadora. Quando o governo resolveu regulamentar, depois de mais de 20 anos, isso gerou uma insatisfação generalizada, principalmente daquelas clínicas que já estavam aí. O melhor processo é o credenciamento, pois é mais transparente. Uma psicóloga do Detran é fiadora de imóvel onde funciona clínica, na capital. Isso não caracteriza, no mínimo, um conflito de interesse? O caso dela está sendo apurado pela corregedoria. Impedimento legal não existe nenhum. Poderia existir um impedimento ético, mais nada. E o Sinval Ladeira, coordenador do Luz para Todos, suposto dono de quatro clínicas. Isso é legal? Está sendo apurado também, pois ele seria sócio oculto de clínicas. Em alguns contratos, ele aparece como testemunha, mas nós estamos apurando porque juridicamente não tem nada errado ainda. Nós temos que ter muito cuidado porque, sem pensar muito, acaba maculando o órgão. Em Betim, o senhor tem conhecimento da significativa quantidade de transferências de prontuário para o Detran de lá? O caso de Betim está a cargo da Superintendência Geral da Polícia Civil. O Detran tem sido o facilitador, enviando todas as informações para o setor de inteligência da polícia e do Ministério Público. O senhor tem o número de transferências de prontuário de outras cidade para Betim? Não, pois ainda está sendo investigado. E a denúncia de venda de exames de direção a R$ 1.000 em Betim? Nós, constantemente, estamos atentos às denúncias anônimas. O TEMPO fez a denúncia, mas não apresentou nenhum dado que a gente possa puxar o fio da meada. Então, até agora, nós estamos fazendo uma investigação de inteligência para tentar chegar a algum lugar. Como são escolhidos os servidores da banca examinadora? O critério da lei é que sejam servidores da Polícia Civil. São feitos cursos de instrutor, de capacitação de examinador e uma avaliação. Verificamos também a vida pregressa deles. O padrão de vida desses examinadores também é verificado? Só quando há denúncia. Tem uma banda podre no Detran de Minas? Dizer que não existe nenhuma irregularidade nesses procedimentos seria muito inocente, mas, afirmar para você que existe, eu seria irresponsável, porque essas coisas acontecem nas melhores famílias. O Tempo / Cidades – 06/02/10 Passional Policial é acusado de matar a mulher em Valadares Karina Alves Portal O Tempo online Um policial, que por definição deveria proteger a população, é acusado de um crime bárbaro, cometido contra a própria mulher. Carmem Lúcia Alves Rodrigues, 32, foi assassinada em casa pelo marido, o cabo da Polícia Militar Fábio Barbosa de Oliveira, 34. O crime aconteceu em Governador Valadares, no Vale do Rio Doce. A corporação alega que a morte foi causada por um disparo acidental. Versão. De acordo com a assessoria da Polícia Militar, o crime aconteceu por volta das 20h da última quinta-feira. Ainda de acordo com a corporação, o cabo estava em casa com a mulher, no bairro Vila Rica, manuseando o próprio revólver, de calibre 38. Ao mexer na arma, o cabo teria disparado acidentalmente, sendo que o tiro atravessou a mão direita do policial e, em seguida, acertou o peito da mulher, que morreu ainda no local. Prisão. Fábio Barbosa de Oliveira foi preso em flagrante e encaminhado ao Hospital de Pronto-Socorro da cidade, onde foi medicado e colocado à disposição da Justiça. Conforme informações da corporação, o policial estava de folga na última quinta-feira e a arma dele foi apreendida. |


