Clipping diário 6 a 08/03/10
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Escrito por Adriana Duarte   
Estado de Minas / Gerais – 08/03/10
RODOVIA LMG-806
Resgate atropela e jovem morre
Ernesto Braga
A 10ª Delegacia Seccional de Ribeirão das Neves, na Grande Belo Horizonte, vai investigar a responsabilidade de três integrantes do Corpo de Bombeiros no atropelamento de um casal com um veículo da corporação, que resultou na morte da mulher. Por volta das 4h30 de ontem, os bombeiros voltavam de um socorro que haviam prestado com a unidade de resgate (UR) 568, placa HMH 0181. No km 5 da LMG-806, no Bairro Monte Verde, sentido Justinópolis/Centro de Neves, atropelaram André Luiz Barbosa de Lima, de 17 anos, e Daiane Jesus Silva, de 23. Eles disseram à perícia da Polícia Civil que o casal estava deitado na margem direita da rodovia e rolou para a lateral da pista. Os dois foram levados para o Hospital de Pronto-Socorro (HPS) Risoleta Tolentino Neves, em Venda Nova, na mesma UR. Segundo o hospital, Daiane chegou ao local sem vida. André Luiz teve escoriações no rosto e vários dentes foram quebrados.
Os bombeiros foram ouvidos ontem na 10ª Seccional, mas não quiseram dar entrevista. Seus nomes não foram divulgados. De acordo com o tenente Marcos Nonato, que não estava na viatura no momento do acidente, os esclarecimentos serão dados hoje. “Estamos reunindo todas as informações necessárias”, resumiu. A UR foi periciada e levada para a unidade da corporação em Neves. Segundo a perícia, o condutor do carro de resgate disse que, assim que passou por um radar da LMG-806, que permite a velocidade máxima de 40 quilômetros por hora, recebeu a sinalização de veículos que trafegavam no sentido contrário. O bombeiro informou que reduziu a velocidade, mas pouco à frente foi surpreendido pelo casal, que rolou da margem para a lateral da pista.
A perícia encontrou um pequeno amassado na lataria, na frente da UR, um pouco acima do farol direito, e arranhões na lateral, próximo à roda dianteira direita. A prioridade dos bombeiros foi levar as duas vítimas para o HPS de Venda Nova e, por isso, o veículo não pôde ser periciado no local do acidente. Daiane teve trauma abdominal e não resistiu aos ferimentos. O corpo dela foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) na manhã de ontem. André passou pelo setor de sutura, foi sedado e permanecia internado, em observação, até o início da tarde. Não foi informado o grau de parentesco entre eles.

Estado de Minas (Portal Uai) / Minas – 07/03/10
Entidades se unem para frear carnificina no trânsito da Grande BH
Agência de Desenvolvimento da RMBH e órgãos parceiros traçam plano de prevenção a acidentes no perímetro formado por 34 cidades da região metropolitana
Paulo Henrique Lobato - Estado de Minas
Todos os anos, a violência no trânsito derrama milhares de litros de sangue nas ruas, avenidas e rodovias da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Os órgãos públicos não têm uma estatística que revele a quantidade de mortos em desastres ocorridos no perímetro formado pelas 34 cidades da Grande BH, mas um indicador da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig) alerta que o trânsito coleciona balanços trágicos: nos últimos cinco anos, 78.096 feridos em acidentes com carros, motos, ônibus, caminhões e outros tipos de motores foram encaminhados ao Hospital de Pronto-Socorro João XXIII (HPS), referência nacional no tratamento de politraumatismo.
A sucessão de vidas perdidas nas vias públicas levou a Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte, autarquia estadual fundada em abril do ano passado, a providenciar, juntamente com outros parceiros do poder público – Corpo de Bombeiros, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Militar etc. – e da sociedade civil, o Plano Metropolitano de Prevenção de Acidentes de Trânsito. O objetivo é frear a carnificina no trânsito das 34 cidades da RMBH.
O conjunto de medidas para a prevenção de acidentes começa a ser discutido na segunda-feira por representantes de vários órgãos de segurança e saúde. O encontro será nesta segunda-feira, às 14h, na sede da agência, na Avenida Raja Gabaglia, 339, Bairro Cidade Jardim, na Região Centro-Sul da capital. “Será feito um diagnóstico sucinto e identificação de ações específicas a serem desenvolvidas a fim de reduzir os acidentes de trânsito nos municípios da Grande BH”, diz José Osvaldo Lasmar, diretor-geral da Agência de Desenvolvimento. A meta, acrescenta ele, é ousada: “A ideia é vítima zero”. O prazo de validade do plano vai ser de quatro anos, quando os resultados serão analisados e novas diretrizes, implantadas.
A preocupação com o trânsito ocorre no momento em que a frota da região metropolitana cresce num ritmo acelerado. Atualmente, há 1,8 milhão de veículos na região metropolitana, sendo cerca de 1,2 milhão somente em Belo Horizonte. “A frota nas 34 cidades aumentou 9,5% apenas no ano passado. O percentual foi maior do que o crescimento da economia brasileira (5%). A manter este ritmo, a quantidade (de carros, motos, ônibus e caminhões) vai dobrar em 2016. Teremos, naquele ano, perto de 3,6 milhões de veículos”, alerta João Hernani Antunes Costa, assessor de Mobilidade da Agência.
O aumento da frota é um impulso natural para o salto no número de acidentes, caso nada seja feito a tempo. Mas não é só isso: a maior quantidade de veículos emplacados no Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MG) também pode prejudicar a mobilidade urbana, como é chamada a articulação de políticas para o transporte, o trânsito e a acessibilidade de forma segura. Tanto que o plano de prevenção a acidentes vai integrar o Programa de Mobilidade da agência, uma das prioridades da autarquia. “Se a frota dobrar mesmo em 2016, a mobilidade vai dobrar, aproximadamente, em 2014. Com isso, teremos aumento dos acidentes e congestionamentos”, ressalta João Hernani.
Melhoria
Ele defende a melhoria do transporte público como principal estratégia no combate ao aumento da frota particular. Uma boa saída é a implantação dos corredores rápidos de ônibus, (BRT, na sigla em inglês para Bus Rapid Transit). Neste sistema, já adotado em Curitiba (PR), o usuário paga a passagem antes do embarque, que é feito em estações ao longo de pistas exclusivas para o coletivo. No início da semana passada, a Prefeitura de BH (PBH) lançou o edital para o estudo que prevê a instalação de um ramal de BRT na Avenida Cristiano Machado. Outros estudos estão sendo feitos para as avenidas Pedro I, Antônio Carlos, Pedro II e Carlos Luz.
A expectativa é de que os ramais entrem em operação até a Copa do Mundo de 2014. A PBH também pensa adotar o sistema nas avenidas Amazonas e Nossa Senhora do Carmo, mas o prazo de implantação, caso seja confirmado, será posterior ao campeonato mundial de futebol que será disputado no Brasil. Outra saída defendida pelos especialistas é a expansão do metrô. A linha 1, que liga o Bairro Eldorado, em Contagem, à Estação Vilarinho, em Venda Nova, transporta cerca de 160 mil pessoas por dia. Já as linhas 2 (Barreiro/área hospitalar) e 3 (Pampulha/Savassi), classificadas como essenciais para desafogar o trânsito da cidade, não têm prazo para sair do papel.

O Tempo / Opinião – 08/03/10
A defesa social é a razão de ser do Estado
Floriano de Lima Nascimento
Do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais
Iniciativas governamentais, em qualquer nível, para implementar políticas com o propósito de reduzir as estatísticas de violência em diferentes pontos do território nacional, são bem-vindas, desde que formuladas com seriedade e competência, dentro de uma visão coordenada entre União, Estados e municípios, que são os três entes da Federação.
Isso é o que se espera do fórum promovido pelo governo federal para discutir os problemas nessa área. Mesmo aplaudindo a iniciativa - pois o número de vítimas de violência no Brasil atinge, há décadas, níveis intoleráveis -, é nosso parecer que a ação do Estado deveria ter começado mais cedo, pois dificilmente uma iniciativa desse porte, adotada a menos de um ano das eleições, colherá os frutos que se esperam. Eleito um novo governo, decorrerão muitos anos até que se retome o assunto, como tem sido a prática no Brasil. Nesse campo, desafortunadamente, a administração pública, nas últimas décadas, tem falhado, quando não se omitido por completo. O resultado é o absurdo de um país desaparelhado até o presente para atender corretamente às demandas dos cidadãos na área da segurança.
No caso em análise, temos dúvidas sobre a eficácia de um plano a ser elaborado a partir de propostas apresentadas por mais de 3.000 pessoas. Por se tratar de matéria que exige profundos conhecimentos de antropologia, sociologia, criminologia, psicologia, legislação processual penal e outras disciplinas, o certo seria preparar-se, previamente, um texto técnico, a partir do qual, aí sim, seriam acolhidas sugestões de uma plateia leiga e heterogênea. A discussão se estenderia, então, a aspectos concretos da legislação em vigor, analisando-se suas falhas e omissões, tendo em vista adequá-la ao que há de mais avançado no mundo.
Mereceriam destaque questões como prevenção da violência por meio de políticas sociais e econômicas, além de iniciativas voltadas para educação, desenvolvimento, moradia e alimentação. Seriam tratados com maior rigor os delitos financeiros, bem como os crimes hediondos e os de corrupção, suprimindo-se normas processuais que asseguram, em muitos casos, a impunidade a vários tipos de transgressões.
A defesa social, conceito que abrange o de segurança pública (e que deveria ser adotada no país), tem de ser prioridade de qualquer governo, para que ele não perca a sua razão de ser. Estudos sobre a formação do Estado mostram que, em tempos pretéritos, o que levou os cidadãos a abrirem mão da sua liberdade, em favor de um governo organizado, foi a garantia de proteção contra assassinos e salteadores. De onde se infere que, ao negligenciar a segurança dos cidadãos, os governos fracassam em uma área de importância vital para a sociedade.
Infelizmente, as discussões sobre a violência brasileira já se desenrolam há várias décadas, sem que até hoje se tenham formulado políticas públicas com a eficácia exigida para enfrentar o problema.

O Tempo / Cidades – 08/03/10
Briga
Casal é atropelado por ambulância em Neves
RICHARD LANZA
Um casal que brigava às margens da rodovia LMG 806, na altura do bairro Monte Verde, em Ribeirão das Neves, na Grande Belo Horizonte, foi atropelado na madrugada de ontem por uma ambulância do Corpo de Bombeiros. De acordo com a Polícia Militar Rodoviária (PMRv), uma das vítimas, Daiane Jesus Silva, 23, morreu ao dar entrada no Hospital Risoleta Tolentino Neves. Um adolescente de 17 anos ficou ferido e foi levado para o mesmo hospital.
Em nota, a assessoria do Corpo de Bombeiros informou que a viatura voltava de uma ocorrência quando houve o atropelamento. Testemunhas disseram que as vítimas brigavam e que elas estavam caídas no meio da pista.
Os jovens foram socorridos pela mesma viatura envolvida no acidente. O Corpo de Bombeiros informou que irá instaurar um procedimento administrativo para apurar o acidente.

O Tempo / Cidades – 06/03/10
Segurança. Projeto de integração entre PM e moradores contribuiu para reduzir violência em 28 bairros de BH
União ajuda a combater crimes
Assaltos, roubos e homicídios chegaram a cair mais de 56% em aglomerado
HELLEM MALTA
A proximidade entre moradores e a Polícia Militar tem contribuído para reduzir a criminalidade em Belo Horizonte. Dados do Comando de Policiamento da Capital (CPC) apontam que o índice de crimes violentos caiu em 28 dos 31 bairros onde existe o projeto Rede de Vizinhos Protegidos. Os assaltos, roubos, sequestros-relâmpagos e homicídios sofreram redução em 2009 se comparados ao ano anterior.
No bairro Bandeirantes, na região da Pampulha, a violência diminuiu 26,8%. Já no bairro União, na região Nordeste, a queda chegou a 45,9%. No entanto, a maior redução dos crimes (56,5%) após a ação integrada entre PM e moradores foi registrada na barragem Santa Lúcia, na região Centro-Sul. O local é o único aglomerado da capital que integra o projeto.
De acordo com a tenente Débora Santos Antunes, chefe de comunicação do CPC, a rede funciona através da integração. Militares fazem a ronda nos bairros e os moradores se organizam com o objetivo de coibir as ações dos criminosos. "Todos os vizinhos que integram a rede possuem o número de um celular corporativo que fica com os policiais responsáveis pela ronda nos bairros. Quando percebem qualquer atitude suspeita na região, os moradores repassam, imediatamente, a informação à polícia", explica.
Segundo a tenente Débora, o repasse de informações agiliza o trabalho da polícia e aumenta a sensação de segurança na comunidade. "Os dados refletem a importância da integração entre polícia e comunidade", ressalta.
Bandeirantes. A Rede de Vizinhos Protegidos trouxe tranquilidade e confiança para os moradores e policiais. No bairro Bandeirantes, na Pampulha, a parceria existe há quatro anos. Além de se sentirem mais seguros, os moradores já perceberam que a violência no bairro diminuiu depois dessa integração com a PM.
"Antes tínhamos muitos problemas com a violência. Durante o dia, as pessoas não podiam sair no portão para colocar o lixo na rua, pois eram assaltadas. Como a maioria das casas está em terrenos muito grandes, os bandidos entravam e os vizinhos não percebiam o que estava acontecendo. Agora, a situação melhorou muito", conta a administradora Adrienne Arantes Noore, 47, representante da Associação Pro Interesses do Bairro Bandeirantes (APIBB).
Segundo Adrienne, os problemas enfrentados pelos moradores do bairro, relacionados com a segurança, são discutidos em reuniões periódicas com os policias da 17ª Companhia, do 34ª Batalhão da PM, responsáveis pelo projeto no bairro Bandeirantes.
"Nessas reuniões eles falam sobre as ocorrências policiais no bairro, repassam as estatísticas e conversam com os moradores sobre a parceria", disse.
Estratégia
Postos de Vigilância são pontos de apoio
Os Postos de Observação e Vigilância (POvs) da Polícia Militar servem como ponto de apoio para os policiais em alguns bairros que integram a Rede de Vizinhos Protegidos. No Bandeirantes, na região Pampulha, o POV instalado no cruzamento das avenidas Cremona com Novara está em um local considerado estratégico pelos moradores.
“Os policiais fazem ronda no bairro o dia todo, conhecem todas as ruas. Como o POV está na principal avenida do bairro, eles conseguem monitorar a movimentação de pessoas e carros na região”, comenta a administradora Adrienne Noore, 47.
Criado na capital em 2005, o projeto Rede de Vizinhos Protegidos começou a se expandir para outras cidades do Estado em 2008. Hoje cerca 120 municípios já adotaram o projeto. Entre eles as cidades de Ipatinga (Vale do Aço), Uberlândia e Uberaba (Triângulo Mineiro). Quem tiver interesse em criar a rede no bairro onde mora deve procurar a Companhia da PM mais próxima. Para saber qual, basta ligar para o 190. (HM)

O Tempo / Cidades – 06/03/10
Ressocialização. Quinze presos da Zona da Mata cantaram suas músicas ontem durante festival na capital
Detentos mineiros lançam o CD "Vozes das celas"
THIAGO NOGUEIRA
Cristiano Trad
Coral de presos da Zona da Mata também participou do festival
Com versos de samba, hip hop, pop, reggae e sertanejo, 15 presos de cinco unidades prisionais da Zona da Mata lançaram ontem, no bairro Gameleira, em Belo Horizonte, o repertório do CD intitulado "Vozes das Celas". A seleção musical é o resultado do 3º Festival de Música do Sistema Penitenciário de Minas Gerais (Festipen), realizado em dezembro do ano passado.
Temas como arrependimento, esperança, críticas sociais, amores perdidos e saudade fazem parte das canções, compostas, arranjadas e cantadas pelos próprios detentos.
Na apresentação, o prazer e a satisfação em cantar refletiam a vontade de ressocialização dos presos. "Essa é a oportunidade de mostrarmos nosso outro lado. Erramos, mas queremos outra chance. Sou músico, já tenho várias composições e quero seguir a carreira solo depois que sair da cadeia", disse Carlos Felipe dos Santos, 29, condenado por tráfico de drogas.
Para o secretário de Estado de Defesa Social, Moacyr Lobato, o festival, além de ajudar no processo de recuperação dos presos, é uma forma de revelar novos talentos. "É um incentivo fundamental para a recuperação. A música é uma manifestação belíssima que aproxima as pessoas", disse.
O Festipen é realizado pela terceira vez. A cada edição, uma região do Estado participa. Nos dois primeiros eventos, 783 presos da região metropolitana de Belo Horizonte e do Vale do Aço inscreveram composições. Nesta edição, 210 detentos participaram.
O idealizador do festival, o delegado aposentado José Estadeu Costa, conta que percebia que os presos costumavam se manifestar musicalmente nas celas. Palmas ritmadas, assovios, batuques nas grades ou em caixotes eram formas de extravasar as angústias.
"A mente do preso tem duas coisas: fugir ou se vingar. É muita revolta. A música os amansa, cria autoestima", argumentou Estadeu. O projeto, que começou em 2005, foi aprovado via Lei Rouanet, do Ministério da Cultura.

Jornal Super Notícia / Geral – 06/03/10
BENEFÍCIO POLÊMICO
Com a prisão do marido, Luciana recorreu ao INSS para obter o benefício previdenciário de uma salário mínimo
Além de o governo estadual gastar, em média, R$ 2.000 mensais com a manutenção de cada detento nas penitenciárias mineiras, o governo federal desembolsa mensalmente R$ 1 milhão para auxiliar as famílias dos presos. O benefício chamado auxílio-reclusão é pago pela Previdência Social. O recurso é garantido pela lei federal nº 8.213, de 1991, aos dependentes da pessoa presa, desde que esta tenha contribuído ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A concessão do benefício é atrelada ao salário do trabalhador, que não pode ser maior que R$ 798,30.
Atualmente, no Brasil, segundo a Previdência Social, 26.411 famílias dependentes de presos recebem o benefício, número equivalente a 5,9% da população carcerária do país - de 450 mil. Em Minas, das 35 mil pessoas presas, 3.319 (9,5%) estão asseguradas. No ano passado, o governo federal desembolsou R$12 milhões com o benefício. Um recurso que, na avaliação do deputado estadual Sargento Rodrigues (PDT), poderia ser destinado às pessoas vítimas de violência e aos seus familiares. "Não é justo a União prestar assistência ao cidadão que cometeu um crime e que ainda custa caro para ser ressocializado", afirma.
O desembargador da área criminal Herbert Carneiro pondera que o auxílio-reclusão é um benefício para a família do criminoso, não para o próprio. "Em nosso país, a sociedade costuma repassar às famílias a culpa do delito. Para muitas pessoas, as mulheres ou os maridos e os filhos devem pagar a pena juntos", argumenta Carneiro. Por outro lado, o desembargador concorda com Rodrigues ao defender um apoio também às vítimas e suas famílias.
A Câmara dos Deputados analisa um projeto que obriga o Estado a indenizar vítimas de violência. Pela proposta, os valores seriam pagos às próprias vítimas, aos cônjuges ou aos dependentes. O projeto está em análise nas comissões desde 2007.
Alívio
A auxiliar de serviços gerais Luciana, de 44 anos, passou maus momentos quando o marido, Vicente, também de 44, se envolveu em uma tentativa de homicídio em 2007. Preso em flagrante, em um crime motivado por uma briga, ele foi condenado a cinco anos. O desespero de Luciana ficou ainda maior ao ter que assumir a responsabilidade de cuidar da casa e dos três filhos adolescentes. Mas enquanto enfrentava a difícil situação, ela descobriu que tinha direito ao auxílio-reclusão.
Depois de procurar um posto da Previdência Social e juntar todos os documentos exigidos, em 2008, Luciana passou a receber um salário mínimo como provento previdenciário, referente ao salário do marido, que trabalhava como auxiliar em uma metalurgia na região do Barreiro, na capital mineira.
""Pelo menos pude respirar mais aliviada. Além das obrigações diárias com a família e a casa, eu ainda tinha que ficar acompanhando o andamento processual do meu marido", diz.
A pedido dos entrevistados, os nomes são fictícios.
Benefício é restrito para quem ganha até R$ 1.500
As famílias dos segurados presos que precisam de ajuda e esclarecimentos sobre o requerimento do auxílio-reclusão devem recorrer à Defensoria Pública da União. De acordo com o defensor público federal Leonardo de Magalhães, o atendimento é restrito às pessoas de baixa renda, que ganham menos de R$ 1.500. Conforme Magalhães, a maioria dos benefícios negados pela Previdência Social é de pessoas que não oficializaram a união (casamento).
Cláudia, de 24 anos, já teve dois requerimentos de auxílio-reclusão negados. O companheiro, o gari Reinaldo, de 29, com quem ela vivia desde 2007, foi preso em fevereiro do ano passado. Após as recusas, ela foi orientada a buscar ajuda na Defensoria Pública da União, que fica na rua Pouso Alto, 15, na Serra, em Belo Horizonte. (AS)
Auxílio tem “apelidos”
Nos últimos meses, o auxílio-reclusão ganhou repercussão na internet. Informações truncadas sobre o benefício estão sendo divulgadas em e-mails. O tema tem deixado muitas pessoas revoltadas e o provento até recebeu alguns apelidos, como "Bolsa-Bandido", "Auxílio-Criminoso" e "Bolsa-Marginal".
O advogado e professor de direito previdenciário da PUC Minas, Lásaro Cândido da Cunha, defende o modelo da Previdência – o único em todo o mundo. Segundo ele, a principal polêmica que envolve o auxílio-reclusão está diretamente ligada à falta de esclarecimentos da população sobre o assunto.
Para o advogado, as pessoas devem saber que o benefício não é um prêmio para o preso, mas uma forma de sustentabilidade dos dependentes. "As famílias de baixa renda têm todo o direito de receber o provento, que foi descontado da folha de pagamento do trabalhador, antes de ele ser preso", explica.
O padeiro Hércules, de 34 anos, é pai de cinco filhos, quatro do primeiro casamento e um do segundo. Há 11 anos, ele foi preso por assalto. Após sua prisão, tanto a primeira mulher quanto a segunda recorreram à Previdência Social requerendo o auxílio-reclusão. Ambas tiveram o pedido deferido.
”Minha filha trabalha, mas com o benefício ela consegue cuidar melhor dos quatro filhos", diz a ex-sogra do detento. (AS)

O Nortão (RO) / Cidades – 05/03/10
ASPRA pede apoio para PEC 300 em Brasília
O presidente da Associação dos Praças da Polícia Militar do Estado de Rondônia, sargento Carlos Alberto dos Santos, acompanhou a votação no Congresso Nacional, da PEC 300, que nivela os salários da categoria em todo o país.
De acordo com Alberto, o que os policiais querem, sem dúvida alguma, são salários dignos para sustentar suas famílias. Com a aprovação em primeiro turno do texto-base da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 300/08), os deputados federais passarão para a etapa de votação dos destaques, que seriam os ajustes da proposta.
Alberto acompanhou a votação de perto para pedir apoio aos parlamentares da bancada rondoniense, em Brasília. Para o presidente, a pressão dos líderes militares em Brasília foi importante para a aprovação em primeiro turno da proposta, sendo esta uma oportunidade de trabalhar por melhoria salarial. “Temos uma média de dois mil associados na ASPRA e somos conhecedores dos problemas e dificuldades que eles enfrentam, em especial com a baixa renda que não é suficiente para suprir as necessidades de seus familiares”, ressalta.
Autor: Marlene Mattos
Fonte: O NORTÃO

Folha de S.Paulo / Cotidiano – 08/03/10
Prédio troca porteiro "amigo" por segurança
Em São Paulo, edifícios terceirizam portarias e adotam métodos de segurança que alteram completamente a rotina de moradores
Porteiros são proibidos de sair de guarita para ajudar morador; condôminos aceitam até ter o carro revistado para evitar assaltos
Brito Jr./Folha Imagem
Guarita de segurança em edifício residencial localizado na Chácara Klabin (zona sul); o porteiro amigo dos moradores está em extinção
JAMES CIMINO
MARCIO PINHO
DA REPORTAGEM LOCAL
Dentro de uma guarita blindada e com vidros fumê, seguranças treinados, vigiados por câmeras ligadas a uma central de monitoramento, estão gradativamente substituindo os porteiros. A figura a quem se recorria para o pedido de pequenas tarefas, como consertar um chuveiro, ou com quem o morador conversava horas sobre futebol, está desaparecendo.
Segundo José Roberto Graiche Jr., diretor jurídico da AABIC (Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios), cerca de 40% dos condomínios da cidade de São Paulo terceirizaram suas portarias e se utilizam de métodos de segurança que alteraram completamente a rotina de seus moradores. Entre os novos empreendimentos imobiliários, o índice chega a 70%.
Mesmo no caso de edifícios que mantiveram a figura do porteiro, muitos passaram por treinamento que visa a segurança e agora são proibidos de sair da guarita e de, por exemplo, ajudar um morador a levar compras ao elevador.
De acordo com Graiche, que também administra diversos condomínios na cidade, a contratação de uma empresa de segurança aumenta em 22% o custo da folha de pagamento para o condomínio. Se for um vigilante com curso especializado reconhecido pela Polícia Federal, o custo sobe até 45%.
Fora o alto preço do serviço especializado, os próprios condôminos optaram por abrir mão da privacidade.
Chegar em casa deixou de ser tarefa simples. Há casos em que o porta-malas e o banco traseiro dos veículos dos moradores e de visitantes são vistoriados antes de entrar na garagem. Se for a pé, o morador corre o risco de ter de se identificar todas as vezes que for à padaria, por exemplo. Isso significa mostrar carteira de identidade, informar uma senha de acesso, decorar o código de acionamento do elevador, sem falar nas diversas câmeras instaladas nos corredores e áreas comuns.
Hubert Gebara, vice-presidente do Secovi-SP (Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de SP) conta que, em um dos 400 condomínios que administra, abrir o porta-malas do carro virou rotina.